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RioFilme incentivará presença do cinema carioca em eventos no exterior

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Vinculado à Secretaria de Governo e Integridade Pública (Segovi) da prefeitura do Rio de Janeiro, a RioFilme lançou edital inédito de Apoio à Participação em Mostras e Festivais Internacionais. As inscrições estão abertas em fluxo contínuo, na área de editais do site da RioFilme, o que significa que o edital não é competitivo, disse hoje (27) à Agência Brasil o diretor do Investimento da empresa, Maurício Hirata.

As produtoras cinematográficas interessadas poderão se inscrever gratuitamente até 5 de dezembro, ou até que se atinja o limite de 13 propostas contempladas.

O edital distribuirá R$ 130 mil este ano, beneficiando cada produtora escolhida com o valor de R$ 10 mil, para ajudar a compor as despesas de viagem com os filmes selecionados em eventos internacionais. À medida que os convites vão chegando, a RioFilme vai analisando. A análise é concluída em até 15 dias após a inscrição do filme ou produtora no edital.

Visibilidade

Segundo Maurício Hirata, o objetivo do edital é dar a maior visibilidade possível à produção audiovisual da cidade do Rio de Janeiro. “Quem inscreve o filme é a empresa produtora, que deve ser carioca há, pelo menos, dois anos”, disse Hirata. Isso quer dizer que a produtora deve estar regularmente sediada na cidade há mais de dois anos, contados da data de fundação da empresa até a data de publicação do edital no Diário Oficial do município, no último dia 23.

Somente serão admitidos como representantes sócios da empresa, produtores executivos, diretores ou atores principais do longa-metragem selecionado para a mostra ou festival internacional.

A avaliação e aprovação das propostas seguirão a ordem de inscrição, mas o edital estabelece alguns critérios para uso dos recursos, que só poderão ser aplicados em despesas de passagem e hospedagem dos contemplados.

Uma das exigências é que o filme esteja selecionado, ou tenha sido convidado, para participar de um dos festivais listados no Anexo 4 do edital, também disponível no site da RioFilme, na área de editais. Os festivais elegíveis foram divididos em categorias que vão de Especiais (como Cannes, Oscar, Berlim e Veneza), AA, A e B. Todos os eventos listados serão considerados para a solicitação de recursos pelos participantes.

Permanência

De acordo com Hirata, a ideia é que o edital seja parte permanente do programa de fomento anual da RioFilme. “Se tudo der certo, se houver demanda de filmes cariocas, a ideia é ampliar o orçamento nos próximos anos. Vamos ver como é a demanda este ano, mas a ideia, dependendo do sucesso do filme carioca lá fora, é apoiar cada vez mais filmes.”

Hirata disse que a RioFilme pretende estimular, cada vez mais, a internacionalização da produção carioca. “É fundamental que a produção carioca e brasileira tenha a maior presença internacional possível . O diálogo com o cinema mundial é prioridade para a RioFilme e para a prefeitura do Rio de Janeiro.”

O diretor de Investimento da RioFilme ressaltou que, se o filme da produtora carioca for convidado para uma mostra ou festival internacional que ocorrerá no ano que vem, poderá ser apoiado neste ano sem problemas.

Hirata reforçou que, para participar do edital, o filme precisa ter sido convidado ou selecionado para a mostra no exterior. “Não é para os filmes se inscreverem em festivais ou mostras. É um apoio àqueles que foram selecionados para exibição em festivais ou mostras. Vai ter que apresentar o convite para participar”.

O segundo edital deverá ser lançado no começo do primeiro semestre de 2023.

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Geral

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Com programação presencial, CineOP destaca cinema indígena

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Em sua 17ª edição, a Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) volta a movimentar o principal destino turístico do interior mineiro. Após dois anos explorando o formato online em decorrência da pandemia de covid-19, o evento irá novamente receber cinéfilos de todo o país na cidade histórica. A programação, que se inicia hoje (22) e vai até a próxima segunda-feira (27), coloca em destaque filmes produzidos por diretores indígenas.

“Fizemos um mergulho nos acervos e tivemos acesso a um volume muito grande de trabalhos. Foi um esforço de pesquisa e buscamos oferecer uma programação que tenha uma diversidade tanto de temas como povos representados”, conta o curador Cleber Eduardo. Além da produção indígena, o evento possibilitará o contato com uma cinematografia diversa que passa, por exemplo, por ficções ambientadas nos anos 1980 e 1990 e por documentários sobre os cineastas Glauber Rocha e Ruy Guerra e sobre o músico Belchior.

Além das atividades presenciais, haverá uma programação virtual disponibilizada por meio do site da CineOP. A decisão foi tomada a partir da avaliação positiva das experiências de 2020 e 2021. “Acho que é algo que vai existir sempre agora nos festivais”, avalia Cleber Eduardo.

A organização do evento espera um público de 15 mil pessoas em Ouro Preto. Considerando a programação presencial e virtual, serão exibidos ao todo 151 filmes, sendo 20 longas-metragem, 14 médias e 117 curtas. São trabalhos provenientes de 21 estados brasileiros, além de outros 7 países. Estão previstos ainda debates, oficinas, exposições, lançamentos de publicações, performances e shows. Toda programação é gratuita.

Embora as primeiras atividades do evento estejam começando hoje, a abertura oficial ocorre apenas amanhã (23), às 19h30, quando os cineastas indígenas Ariel Ortega e Patricia Ferreira Yxapy serão homenageados na Praça Tiradentes e receberão o Troféu Vila Rica.

“A definição pelo trabalho de ambos, nascidos na cidade argentina de Missiones, na aldeia Tekoa Verá Guaçu, se dá especialmente pela forma como as questões culturais e políticas em seus filmes surge de natureza distintas, sendo pontuadas pela própria aproximação da cidade em relação às terras de seu povo”, registra o site do evento.

Na sessão de abertura, o público assistirá Bicicletas de Nhanderú, um documentário de 48 minutos dirigido por Ariel Ortega e Patricia Ferreira Yxapy e finalizado em 2011. No filme, os diretores realizam uma imersão na espiritualidade presente no cotidiano dos Mbyá-Guarani da aldeia Koenju, em São Miguel das Missões (RS).

Cinema indígena

Dos 151 títulos incluídos na programação, 35 são dirigidos por indígenas de 17 povos distintos. Segundo Cleber Eduardo, trata-se de uma mostra que busca oferecer um olhar retrospectivo da cinematografia indígena.

“Embora seja uma produção ainda muito recente, que começa no final dos anos 1990, já possui um percurso de mais de 20 anos. E dentro desse período há algumas mudanças. Por exemplo, no começo os filmes eram coproduzidos com indígenas e não indígenas. Progressivamente, os indígenas começam a assumir sozinhos a direção. Hoje, achamos que já existe um volume de filmes que permita observar alguns recortes de temas recorrentes, de formatos recorrentes, da diferenças entre povos”, diz o curador.

Cléber observa que a potência do cinema se articula com o drama da situação indígena na atualidade e considera que há dois macrosegmentos temáticos. Um deles está relacionado com a tradição espiritual e ritualística e com a identidade de povo, revelando um esforço pela preservação de sua cultura. O outro envolve o contato conflituoso com a cultura urbana e com a cultura não indígena, do qual derivam intimidações políticas, invasões de terra e ações violentas.

“São problemas concretos que muitas vezes ameaçam a vida desses povos”, diz. Ele ressalta que as abordagens são bastante variadas, mas que é possível ver, nos dois macrosegmentos, um movimento de resistência, seja político ou cultural.

Histórico

A CineOP é organizada pela Universo Produção, que também responde pela tradicional Mostra de Cinema de Tiradentes. Sua realização também conta com o apoio da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo e da Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais.

Referência no calendário cinematográfico nacional, o evento surgiu em 2006 e tem como diferencial a estruturação em três eixos: patrimônio, educação e história. Para cada um deles, há uma vasta programação que mobiliza cineastas, pesquisadores, restauradores, professores, críticos, estudantes e cinéfilos em geral.

Dentro do eixo patrimônio, é realizado o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros. Trata-se de um dos principais fóruns onde se discutem políticas públicas voltadas para preservação dos filmes nacionais. A pauta envolve temas como prioridades para a restauração, processos de digitalização, acesso da população aos filmes e organização de bancos de dados.

No eixo educação, o cinema indígena também estará no centro das discussões. Convidados internacionais irão debater sobre as possibilidades de práticas pedagógicas dos filmes.

Edição: Maria Claudia

Fonte: EBC Geral

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