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11 CIDADES

Com menos de 60 salas de cinema no estado, Cine Senar faz sucesso no interior

A programação dos próximos eventos pode ser conferida no site do Senar-MT

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Mato Grosso possui 3,5 milhões de habitantes, 141 municípios e 58 salas de cinema divididas entre apenas 11 cidades*. É neste contexto que o Cine Senar destaca a sua importância. O programa, realizado há oito anos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT) e Sindicatos Rurais, proporciona momentos de lazer e diversão gratuita aos 130 municípios que não são contemplados com a energia das telonas.

Dentre eles está o município de Juara que reuniu cerca de 1.500 pessoas na Praça dos Colonizadores para prestigiar o evento. Foram organizadas cadeiras ao entorno do telão de cinco metros de altura, que passou o filme Os Croods II, de classificação livre, possibilitando diversão para toda a família.

O mobilizador do Sindicato Rural de Juara, Cosmo Henrique, afirma que o Cine Senar é uma festividade para a comunidade local. “Às vezes eles nunca tiveram a oportunidade de assistir um cinema na cidade grande e aqui eles estão curtindo e aproveitando”, destaca.

Porto dos Gaúchos foi outro município que recebeu o Cine Senar em 2022. O mobilizador do Sindicato Rural, Júlio César Rodrigues, destacou que o momento de confraternização foi possível graças às parcerias. “Tudo o que está acontecendo, toda essa infraestrutura é disponibilizada graças ao produtor rural. Uma salva de palmas aos produtores de Porto dos Gaúchos por possibilitarem um momento de diversão para a população”, afirmou durante o evento.

Pipoca e algodão doce também são atrações no evento

Além do filme, os participantes também podem desfrutar de pipoca e algodão doce gratuitamente e, às vezes, de sorteios de brindes por instituições parceiras. Entre os meses de junho e julho estão previstos mais 45 Cines, pelo estado, com o objetivo de oportunizar ao produtor e trabalhador rural acesso à linguagem audiovisual, apresentando o cinema como uma fonte de cultura, meio para transmitir conhecimento e alternativa de entretenimento.

A programação dos próximos eventos pode ser conferida no site do Senar-MT, pelo link a seguir: https://sistemafamato.org.br/senarmt/course/cine-senar/#objetivo ou com informações diretamente no Sindicato Rural de seu município.

* Dados da Agência Nacional de Cinema (Ancine) de 2019.

Fonte: ASCOM Senar

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Com programação presencial, CineOP destaca cinema indígena

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Em sua 17ª edição, a Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) volta a movimentar o principal destino turístico do interior mineiro. Após dois anos explorando o formato online em decorrência da pandemia de covid-19, o evento irá novamente receber cinéfilos de todo o país na cidade histórica. A programação, que se inicia hoje (22) e vai até a próxima segunda-feira (27), coloca em destaque filmes produzidos por diretores indígenas.

“Fizemos um mergulho nos acervos e tivemos acesso a um volume muito grande de trabalhos. Foi um esforço de pesquisa e buscamos oferecer uma programação que tenha uma diversidade tanto de temas como povos representados”, conta o curador Cleber Eduardo. Além da produção indígena, o evento possibilitará o contato com uma cinematografia diversa que passa, por exemplo, por ficções ambientadas nos anos 1980 e 1990 e por documentários sobre os cineastas Glauber Rocha e Ruy Guerra e sobre o músico Belchior.

Além das atividades presenciais, haverá uma programação virtual disponibilizada por meio do site da CineOP. A decisão foi tomada a partir da avaliação positiva das experiências de 2020 e 2021. “Acho que é algo que vai existir sempre agora nos festivais”, avalia Cleber Eduardo.

A organização do evento espera um público de 15 mil pessoas em Ouro Preto. Considerando a programação presencial e virtual, serão exibidos ao todo 151 filmes, sendo 20 longas-metragem, 14 médias e 117 curtas. São trabalhos provenientes de 21 estados brasileiros, além de outros 7 países. Estão previstos ainda debates, oficinas, exposições, lançamentos de publicações, performances e shows. Toda programação é gratuita.

Embora as primeiras atividades do evento estejam começando hoje, a abertura oficial ocorre apenas amanhã (23), às 19h30, quando os cineastas indígenas Ariel Ortega e Patricia Ferreira Yxapy serão homenageados na Praça Tiradentes e receberão o Troféu Vila Rica.

“A definição pelo trabalho de ambos, nascidos na cidade argentina de Missiones, na aldeia Tekoa Verá Guaçu, se dá especialmente pela forma como as questões culturais e políticas em seus filmes surge de natureza distintas, sendo pontuadas pela própria aproximação da cidade em relação às terras de seu povo”, registra o site do evento.

Na sessão de abertura, o público assistirá Bicicletas de Nhanderú, um documentário de 48 minutos dirigido por Ariel Ortega e Patricia Ferreira Yxapy e finalizado em 2011. No filme, os diretores realizam uma imersão na espiritualidade presente no cotidiano dos Mbyá-Guarani da aldeia Koenju, em São Miguel das Missões (RS).

Cinema indígena

Dos 151 títulos incluídos na programação, 35 são dirigidos por indígenas de 17 povos distintos. Segundo Cleber Eduardo, trata-se de uma mostra que busca oferecer um olhar retrospectivo da cinematografia indígena.

“Embora seja uma produção ainda muito recente, que começa no final dos anos 1990, já possui um percurso de mais de 20 anos. E dentro desse período há algumas mudanças. Por exemplo, no começo os filmes eram coproduzidos com indígenas e não indígenas. Progressivamente, os indígenas começam a assumir sozinhos a direção. Hoje, achamos que já existe um volume de filmes que permita observar alguns recortes de temas recorrentes, de formatos recorrentes, da diferenças entre povos”, diz o curador.

Cléber observa que a potência do cinema se articula com o drama da situação indígena na atualidade e considera que há dois macrosegmentos temáticos. Um deles está relacionado com a tradição espiritual e ritualística e com a identidade de povo, revelando um esforço pela preservação de sua cultura. O outro envolve o contato conflituoso com a cultura urbana e com a cultura não indígena, do qual derivam intimidações políticas, invasões de terra e ações violentas.

“São problemas concretos que muitas vezes ameaçam a vida desses povos”, diz. Ele ressalta que as abordagens são bastante variadas, mas que é possível ver, nos dois macrosegmentos, um movimento de resistência, seja político ou cultural.

Histórico

A CineOP é organizada pela Universo Produção, que também responde pela tradicional Mostra de Cinema de Tiradentes. Sua realização também conta com o apoio da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo e da Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais.

Referência no calendário cinematográfico nacional, o evento surgiu em 2006 e tem como diferencial a estruturação em três eixos: patrimônio, educação e história. Para cada um deles, há uma vasta programação que mobiliza cineastas, pesquisadores, restauradores, professores, críticos, estudantes e cinéfilos em geral.

Dentro do eixo patrimônio, é realizado o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros. Trata-se de um dos principais fóruns onde se discutem políticas públicas voltadas para preservação dos filmes nacionais. A pauta envolve temas como prioridades para a restauração, processos de digitalização, acesso da população aos filmes e organização de bancos de dados.

No eixo educação, o cinema indígena também estará no centro das discussões. Convidados internacionais irão debater sobre as possibilidades de práticas pedagógicas dos filmes.

Edição: Maria Claudia

Fonte: EBC Geral

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