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FIM DE UMA ERA

Além do ‘Explorer’; relembre como era acessar à internet nos anos 2000

Seguindo os passos do extinto Orkut, o navegador Internet Explorer marca o fim de uma era, ao deixar de existir na última quarta-feira (15)

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Ciência e Tecnologia

Usou um computador entre os anos 90 e 2000? Saiba o que você, as cantoras Kelly Key e Shakira e a apresentadora Ana Maria Braga têm em comum.

Seguindo os passos do extinto Orkut, o navegador Internet Explorer marca o fim de uma era, ao deixar de existir na última quarta-feira (15).

“Cria” da internet discada, a assessora de mídias sociais, Mariel Mattos,25, tinha por volta dos 7 anos de idade quando teve o primeiro contato com um computador. Mariel narra que passou a usar o componente eletrônico quando a irmã mais velha ganhou o item como presente. “O computador era uma coisa muito assustadora, muito grande e sem função pra mim, por eu ser muito criança”, relembra Mariel, que relata o sofrimento da irmã para conseguir acessar a internet, por morar em uma área afastada da região central.

Mariel Mattos

As primeiras lembranças de Mariel acerca da tecnologia e computadores remetem à irmã e à tia, que faziam uso da ferramenta ainda nos anos iniciais de incorporação do item no Brasil. A comunicóloga lembra da situação onde ganhou um jogo, como brinde de uma rede de fast food e então passou a utilizar o computador com maior frequência. “O jogo era de CD e não precisava de internet pra funcionar, eu jogava o dia inteiro esse negócio, eu amava”, lembra Mariel, que também conta sobre o primeiro endereço de e-mail utilizado por ela e criado pela tia, que após sair de Cuiabá, manteve a comunicação por meio do endereço eletrônico. “A gente ficava trocando e-mail como se fosse carta. Tinha aqueles slides de piada, de mensagens bonitas e poesia”, relembra Mariel.

Assim como grande parte dos adolescentes dos anos 2000 com acesso à internet, ela se recorda de passar grande parte do dia navegando pelas comunidades do Orkut, extinta rede social que virou febre entre 2004 e 2010, sendo desativada em 2014. Mariel conta que costumava alternar entre seu perfil oficial e o perfil falso – os perfis fakes – algo muito comum da época. “Pessoalmente, eu não era emo, mas na internet eu era”, afirma Mariel.

Mariel assim como muitas  pessoas utilizaram o navegador Internet Explorer em seus primeiros anos de experiência e se recorda  da velocidade precária apresentada quando tirava um tempo do seu dia para jogar. “Eu me estressava muito com o computador na hora de jogar o joguinho da Barbie e o Gold Miner, que foi meu primeiro contato com o sentimento de raiva, por apresentar muita dificuldade”, conta a comunicóloga ao citar o jogo que coloca o usuário como um minerador, com função de coletar ouro.

Do outro lado de Cuiabá se encontra a servidora pública Renata Rodrigues, 27, que sempre teve computador em casa, devido à profissão do pai, que é técnico em eletrônica.

Renata Rodrigues

Apesar de conviver com computadores em casa, Renata recorda as dificuldades enfrentadas para conseguir acesso à internet no final dos anos 90. “Lembro que uma vez a gente conseguiu fazer funcionar, mas também não sabia muito mexer”, conta a servidora, que usava a internet para pesquisar assuntos escolares ou jogos.

Fã de fotografia, Renata acessava, além das redes sociais da época, o fotolog, site dedicado à publicação de fotos online e que contava com recursos de rede social, como comentários e catálogo de amigos, semelhante ao que conhecemos hoje como Instagram.

Com muitos amigos virtuais, Renata conta que os fóruns online eram responsáveis por unir pessoas com gostos em comum, o que ocorreu com ela quando pesquisou por assuntos relacionados a sua série favorita, Xena: A Princesa Guerreira.

A série, exibida nos anos 90, ganhou o coração da servidora em meados dos anos 2000 e por ser apresentada na TV aberta do Brasil, os episódios não eram apresentados em ordem cronológica e completa, o que levou Renata a buscar por informações na internet. “Por ter um computador sem internet, eu ia na lan house pra ficar assistindo vídeos e lendo matérias sobre a série e nisso acabei conhecendo muita gente na internet”, narra Renata ao afirmar que teve os gostos pessoais moldados naquela época.

Assim como Mariel, Renata, também era usuária do Internet Explorer e diferente da assessora de mídias sociais, apresenta memórias um pouco melhores a respeito da ferramenta. “Ele funcionava muito bem e me lembro de fazer todas minhas pesquisas por ele e depois que vieram outros navegadores e o Internet Explorer deixou de ter utilidade”, lembra Renata.

Além do ‘falecido’ Internet Explorer, relembre alguns dos principais ítens que marcaram a geração Y, conhecida como geração do milênio e que compreende os nascidos entre 1980 e 1996, segundo estudos da sociologia.

Internet discada

Uma das primeiras opções para o acesso à internet, em meados dos anos 90, a internet discada surgia para quem tinha linha telefônica em casa e funcionava da seguinte forma: o usuário contratava um provedor, gratuito ou pago, conectando o cabo da linha telefônica no computador, através de um modem. Após isso, o usuário registrava e-mail e senha e utilizava o programa fornecido pelo seu provedor ou até mesmo o discador do sistema operacional Windows para realizar a conexão.

O som robótico característico anunciava o tráfego de dados através da linha telefônica, ou seja, o caminho que a internet fazia do cabo ao computador. Não podemos deixar de citar os perrengues que só quem precisou abrir uma simples página na web e esperou por mais de 3 minutos, passou. Isso porque um dos pontos negativos da internet discada era a instabilidade e a velocidade.

Computador de tubo

Ilustrando os famosos memes que circulam pelas redes sociais e referenciam a internet e os anos 2000, os computadores com monitor de tubo ocuparam grande espaço, literalmente, no cotidiano dos privilegiados com a presença de um computador em casa.

As telas quadradas de LED, que imitam as televisões, não eram uma realidade 20 anos atrás. Sendo assim, os monitores utilizados em grande parte dos computadores eram os de tubo, que utilizavam tecnologia parecida com os monitores de TV da época.

Windows e suas tecnologias

Outro aviso sonoro que traz lembranças de uma época não muito distante é o som do sistema operacional Windows XP, lançado em 2001. Ao ligar o computador, o usuário ouvia a sinfonia padrão do sistema sendo iniciado e se deparava com o papel de parede com um campo esverdeado e céu azul a perder de vista.

Além dos avisos sonoros, o sistema operacional trazia em seu sistema um editor de vídeo nativo, conhecido como Windows Movie Maker, responsável por muitos slides de fotos com trilhas sonoras da época.

Outro recurso ainda presente e muito utilizado no Windows é o Paint. Responsável por revelar muitos artistas, o programa da Microsoft atende a demandas de desenhos simples e edição de imagens (e já salvou muita gente no apuro).

Uma ameaça foi detectada

Responsável por muitos sustos, a frase “as definições de vírus foram atualizadas” pegava desprevenido quem se aventurou por usar o computador com as caixas de som estrondosas ativadas. O aviso era anunciado pelo programa Avast, um antivírus que reconhecia possíveis arquivos que poderiam danificar o computador. O susto era ainda maior quando a programa confirmava os possíveis danos ao equipamento, com a frase “uma ameaça foi detectada”.

Só add com scrap

Apesar de não ser a primeira rede social criada, o Orkut é uma das que mais ganhou adeptos ao longo dos anos 2000. Criada em 2004 pelo engenheiro turco que dá nome à rede social, o Orkut era muito parecido com o Facebook que conhecemos hoje, apesar de suas diferenças.

Inicialmente, a rede social apresentava ao usuário uma página inicial com perfil, mural de recados, os famigerados “scraps”, álbum de fotos, vídeos, além das comunidades dedicadas a assuntos específicos.

A rede social tinha como opção mandar uma mensagem ao amigo ou conhecido antes mesmo de adicioná-lo à sua lista de amigos. Outras opções foram incrementadas com o passar dos anos, como descobrir quantas e quais pessoas visitaram seu perfil e adicionar uma música tema ao mesmo.

Além das utilidades de uma rede social, o Orkut ainda incorporou uma aba dedicada a jogos, onde os usuários se dedicavam a passar um bom tempo plantando e colhendo na “Colheita Feliz” ou enviando abraços no “Buddypoke”.

Veja 5 comunidades do orkut mais criativas:

Internet

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O primo do WhatsApp

A necessidade de se comunicar em tempo real sempre esteve presente no cotidiano, antes mesmo do advento da internet, vide o sinal de fumaça, utilizado por indígenas ao redor do mundo, buscando priorizar a comunicação instantânea.

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O mais próximo do que temos hoje como WhatsApp, o Windows Live Messenger (MSN) cumpria o papel de transmitir mensagens instantâneas. O sinal verde mostrava se o usuário estava online, o vermelho, ocupado, o laranja, ausente e o branco, offline (ou invisível).

Levando multidões às lan houses, a plataforma era muito mais que uma simples forma de trocar mensagens. O usuário tinha como opção mostrar aos amigos qual música estava ouvindo, em tempo real, chamar a atenção, o que fazia a janela do amigo tremer e ficar em destaque, enviar winks, o que seria correspondente as figurinhas animadas de hoje, mas com som.

Agora que você já está por dentro de quase tudo que rolou na internet nos anos 2000, que tal jogar o esse jogo preparado pelo?

Veja vídeo e jogue

Fonte: Gazeta Digital

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Ciência e Tecnologia

Por que empresas de tecnologia estão sofrendo perdas históricas na Bolsa americana

Existem vários fatores influenciando o ânimo atual dos investidores

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Depois de atingir lucros espetaculares durante a pandemia, o mercado de ações vem registrando um ano ruim em 2022. Os investidores vêm sofrendo perdas, mesmo aqueles que apostaram em papéis considerados seguros, como os das empresas de tecnologia, que vinham trazendo bons resultados há anos — até agora.

No centro de Nova York, nos Estados Unidos, rodeada pelas luzes e painéis eletrônicos da Times Square, fica a Nasdaq, a bolsa de valores especializada em empresas de tecnologia. Até 15 de junho, o índice Nasdaq (que reflete as oscilações do conjunto de ações comercializadas naquela bolsa) caiu quase 32%.

É uma das maiores quedas já sofridas pela Nasdaq em toda a sua história“, afirma Eduardo Carbajal, professor de economia e finanças do Instituto Tecnológico de Monterrey, no México. E esse cenário não melhorou no mês de junho.

Nem as chamadas “big techs”, como a Meta (controladora do Facebook), AmazonNetflixApple e Alphabet (controladora do Google), escaparam, sofrendo quedas percentuais na casa de dois dígitos.

O que está acontecendo?

Os mercados são voláteis. O ânimo dos investidores, o que eles esperam que aconteça no futuro, é o que determina os preços das ações na bolsa. E, em 2022, a tendência dos investidores tem sido de desfazer-se desses ativos, porque eles entendem que não receberão o retorno esperado.

Minha hipótese é que muitas empresas de tecnologia estavam supervalorizadas“, defende Carbajal. “Não é possível que a Tesla tivesse um valor de mercado mais alto que qualquer empresa historicamente produtora de automóveis.”

Existem vários fatores influenciando o ânimo atual dos investidores. O primeiro é a inflação alta, um fenômeno generalizado no mundo em 2022. Nos Estados Unidos, por exemplo, o índice anual chegou a 8,6% em junho, o maior dos últimos 40 anos. A inflação traz incertezas, o que é ruim para os mercados.

Para tentar conter a onda inflacionária, os bancos centrais estão aumentando as taxas de juros, o que encarece o custo de capital. Em Washington, o Federal Reserve (o Banco Central norte-americano) decidiu aumentar os juros e dá sinais que indicam que manterá essa tendência.

Isso afeta principalmente as empresas que, aproveitando as taxas de juros muito baixas dos últimos anos, receberam injeções de dinheiro. “Quando as expectativas mudam e as taxas de juros aumentam, essas ações costumam sofrer mais que as de empresas com mais peso em índices como o Dow Jones, de companhias mais tradicionais”, explicou à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) Nicolás Max, diretor da empresa argentina Criteria Asset Management.

A alta do custo do crédito também tornou mais atraentes os investimentos em bônus do Tesouro norte-americano, o que fez com que parte do fluxo de capitais fosse redirecionado para esse tipo de ativo, que é visto como mais seguro. Mas isso esfria a economia e reduz as expectativas de lucros das empresas, tornando suas ações menos atraentes.

Esses dois fatores somados produzem uma bomba econômica conhecida como estagflação: a redução da atividade econômica com constante alta de preços. E, quando as pessoas têm menos dinheiro no bolso, elas tendem a gastar menos em artigos não essenciais.

Aliado a isso, os confinamentos impostos na China devido à covid-19, a guerra na Ucrânia e a possibilidade de novas crises sanitárias aumentam as dúvidas na equação.

As ‘big techs’

O tamanho da queda é determinado pelas ações que têm maior peso e dominam a Nasdaq“, diz Max. Essas gigantes da tecnologia são o FacebookAppleAmazonNetflix e Google, que formam um grupo de empresas chamado de FAANG. E, além delas, existe outra empresa mais tradicional entre as grandes: a Microsoft.

“Observamos no primeiro semestre do ano quedas dos lucros com relação às expectativas de ações muito representativas dos índices de tecnologia, como o Facebook, o PayPal e a Netflix“, afirma Max. O valor de mercado do FacebookAppleAmazon, Microsoft e Google somados caiu US$ 2,7 triilhões (R$ 13,8 trilhões) entre o início de 2022 e o dia 19 de maio, segundo o jornal The New York Times.

“Os preços das ações estão retornando aos seus níveis possivelmente reais”, afirma Carbajal. E as grandes empresas detêm um poder de arrasto que sempre coloca em alerta as empresas menores, que acabam caindo como peças de dominó.

O estranho nessa história é que, apesar da queda das empresas de tecnologia, elas continuam com os caixas abertos e seguem gastando. Isso se reflete em aumentos significativos de salários para seus funcionários em 2022 e até em novas contratações em algumas empresas, além de novos investimentos em projetos, segundo vem informando a imprensa norte-americana.

“As empresas que lideram a Nasdaq são bastante sólidas e, quando tudo isso passar, elas terão forte poder de recuperação. Uma amostra são os projetos que estão desenvolvendo”, explica Carbajal.

Mas haverá recuperação?

O humor dos investidores ainda não parece ter chegado ao fundo do poço, o que afetará o preço das ações das empresas cotadas na Nasdaq. “Daqui até o final do ano, não prevemos melhorias das condições macroeconômicas que possam nos fazer imaginar que [a queda] será contida ou que será atingido um nível mínimo“, segundo Carbajal.

Para Max, “a pergunta é se a economia americana está ou não se encaminhando para uma recessão, qual a gravidade da desaceleração econômica e, portanto, qual será o nível da desaceleração dos lucros das empresas daqui por diante. Essa incerteza é basicamente o que pesa.”

“Caso persistam as pressões sobre os preços, as autoridades monetárias dos Estados Unidos enfrentarão um cenário no qual a recessão será o preço a pagar para manter sua credibilidade intacta e as ações ainda terão um caminho a percorrer na sua tendência de queda”, conclui ele.

Fonte G1

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