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Mês do Orgulho LGBTQIA+: entenda ato que deu origem ao movimento e relação da população com a polícia atualmente

Mais de 50 anos após ação policial que gerou revolta e originou o ativismo por direitos a membros da sigla, relacionamento entre forças de segurança e público ainda é esquivo

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Em junho, celebra-se o Mês do Orgulho LGBTQIA+ e, neste domingo (3), o g1 inicia uma série de reportagens com temas relacionados ao movimento, que teve início no fim dos anos 60, nos Estados Unidos, após uma abordagem policial a um bar frequentado por marginalizados da sociedade – em sua maioria, gays.

Muito se passou desde aquele junho de 1969, em Nova Iorque, quando policiais fizeram uma batida ao bar Stonewall Inn, agrediram e detiveram pessoas que estavam no local. Contudo, a relação de lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queers, intersexuais, assexuais e demais membros da sigla com a polícia ainda é arredia.

O Stonewall Inn era um dos mais conhecidos bares LGBTs de Nova York. Sem licença para a venda de bebida alcoólica e uma série de outras regulamentações, como não ter saída de emergência, o local funcionava a base de propina.

Contudo, naquela época várias batidas policiais estavam sendo feitas para controlar quem podia vender álcool. Na madrugada do dia 28 de junho de 1969, a polícia resolveu fazer mais uma batida no bar.

Era a terceira vez em um espaço curto de tempo que policiais faziam essa ação em bares daquela área. Funcionários e alguns frequentadores foram agredidos e presos.

No caminho para as viaturas, os policiais usaram mais violência para fazê-los entrarem nos veículos. Nesse momento, uma multidão fora do bar começou a jogar objetos nos policiais.

A situação ficou ainda mais tensa quando alguns tentaram virar uma das viaturas de cabeça para baixo. Em determinado momento, os policiais entraram no bar para se protegerem e um dos manifestantes chegou a gerar um princípio de incêndio no local.

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Os policiais usaram uma mangueira para conter as chamas e a multidão. Depois disso, uma parte da população LGBT, que até então tinha receio de se expor, foi às ruas protestar nas proximidades do Stonewall, que durou dias.

Meses depois, surgiram as primeiras organizações do movimento de liberação LGBT nos Estados Unidos. Desde então, no mês de junho e, especialmente, no dia 28, comemora-se o orguho LGBTQIA+ em muitos lugares do mundo.

LGBTQIA+ e a polícia hoje

A vice-coordenadora do Matizes, grupo que luta há 20 anos por direitos LGBTQIA+ no Piauí, Marinalva Santana, afirmou que reconhece que hoje existam cursos de formação e atualização com conteúdos que referentes ao respeito às diversidades que as polícias passam ainda há existem abordagens truculentas.

Ao g1, a Polícia Militar do Piauí (PM-PI) afirmou que procura trabalhar como fazer abordagens sem discriminar orientação sexual ou gênero das pessoas. Contudo, a corporação reconhece que podem existir comportamentos distintos que são passíveis de correição junto à Corregedoria.

“A pessoa ultrajada nos seus direitos pode procurar a Corregedoria, denunciar e vamos abrir um procedimento e analisar se houve abuso ou desvio na ação do policial”, comunicou a PM em nota.

Marinalva Santana ressaltou que, em Teresina, existe a Delegacia de Direitos Humanos, para denúncias relacionadas à discriminação por gênero e/ou orientação sexual. A delegada titular, Syglia Silva, orientou sobre como proceder nesses casos.

“O ideal é que a pessoa acione a PM na hora em que ocorrer o crime, porque aí já acontece o flagrante e o suspeito pode ser preso. Também é importante procurar por pessoas que podem ter presenciado o ocorrido, que podem servir de testemunhas”, informou.

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A delegada disse que a delegacia especializada, assim como as demais, funciona de segunda a sexta, em horário comercial, mas que, fora desses horários e no fim de semana, existem as centrais de Flagrante e de Gênero, que podem atender às demandas.

Segundo a vice-coordenadora do Matizes, o problema hoje é para a população LGBTQIA+ que reside no interior do estado. “Na capital, temos a especializada, que tem uma equipe sensibilizada, que compreende como deve ser o atendimento, mas no interior do estado ou em distritos comuns ainda existem muitos registros de atendimentos discriminatórios”, disse.

Procurada, a Polícia Civil informou que só se manifesta em casos concretos e que, com relação a políticas públicas e gestão, a responsabilidade é da Secretaria de Segurança Pública (SSP-PI).

Ao g1, o órgão respondeu que dentre as ações direcionadas ao público LGBTQIA+ realizadas estão a criação do Boletim de Ocorrência (BO) eletrônico com campo específicos para motivações discriminatórias a este público.

Além disso, a secretaria afirmou que realiza palestras de conscientização sobre a violência de gênero em escolas e a patrulha Maria da Penha, que fiscaliza o cumprimento das medidas protetivas de urgência deferidas pelo Poder Judiciário.

O órgão citou ainda que realiza capacitação de servidores sob a perspectiva de gênero, “que rendeu à Polícia Civil o selo de equidade de gênero, raça e etnia da Coordenadoria de Políticas para mulheres”.

Para Marialva, o sentimento é de esperança. “A gente espera que essa página infeliz passe e que a gente tenha polícias mais preparadas a respeito aos direitos humanos e observância ao que está na constituição com relação a princípios importantes como o da dignidade à pessoa humana”, pontuou.

Fonte: G1
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Chuvas deixam mais de 56 mil desabrigados e desalojados em Alagoas

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As fortes chuvas que voltaram a atingir parte do estado de Alagoas nos últimos dias já deixaram cerca de 56 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas. No primeiro caso, são famílias inteiras cujas residências foram afetadas pela força das águas e que, sem ter para onde ir, viram-se forçadas a buscar abrigo em locais improvisados pelo Poder Público. Desalojadas são as pessoas que se hospedaram com amigos, parentes, vizinhos ou em estabelecimentos pagos com seus próprios recursos.

Nesta tarde, o governador Paulo Dantas informou em sua conta no Twitter que mais da metade das 102 cidades alagoanas está em situação de emergência. “Me reuni com os 56 municípios que entraram no Decreto de Emergência para falar sobre as ações prioritárias”, escreveu Dantas.

Parte dessas cidades decretou situação de emergência antes mesmo das chuvas dos últimos dias, pois o estado já tinha sido atingid0oa por fortes chuvas em maio e junho. Nesta segunda-feira (4), o governo federal, que já havia reconhecido a condição de emergência em 23 municípios anteriormente afetados, reconheceu os decretos de mais 15 localidades que, com isso, poderão pedir recursos federais para ações de socorro e assistência humanitária.

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Os ministros do Desenvolvimento Regional, Daniel Ferreira, e da Cidadania, Ronaldo Bento, visitaram Alagoas nesta segunda-feira. Acompanhados de integrantes da Defesa Civil nacional, os ministros recomendaram atenção aos sinais de perigo, como alta do nível de rios; movimentações do solo encharcado e trincas ou estalos em paredes de imóveis e muros.

“As medidas de autoproteção têm que ser mantidas e as pessoas têm que estar alertas aos comunicados das autoridades locais”, disse Ferreira. “As fortes chuvas [dos últimos dias] arrefeceram, mas ainda há previsão de mais chuvas para as próximas horas. Todos os mananciais estão cheios e ainda há riscos tanto de deslizamentos, quanto de transbordamento de mananciais”, acrescentou o ministro.

De acordo com Ferreira, não faltarão recursos orçamentários para a Defesa Civil nacional auxiliar os municípios que pedirem ajuda. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional, só para Alagoas, já foram liberados neste ano R$ 20,4 milhões para investimentos em ações de resposta a desastres naturais.

Já o ministro da Cidadania, Ronaldo Bento, anunciou que o governo federal vai antecipar o pagamento do benefício de prestação continuada (BPC) a 112 mil famílias alagoanas.

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Servidores do Ministério da Saúde e membros das Forças Armadas e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) foram mobilizados para auxiliar os órgãos estaduais a prestar socorro e assistência humanitária às pessoas afetadas. Uma equipe técnica do Ministério da Cidadania, responsável pela coordenação do Sistema Único de Assistência Social, também foi enviada ao estado para ajudar na gestão de alojamentos provisórios para as famílias desabrigadas e na compra de insumos básicos.

Edição: Nádia Franco

Fonte: EBC Geral

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